Um artigo recente da BBC retratava a dimensão e a importância da dívida que tanto o Brasil como os países seus vizinhos estão acumulando em relação à China. Nos últimos 20 anos, a China virou o grande credor do mundo, com US$ 1,6 trilhão de investimentos e créditos em 2018.

Tudo isso é explicável pelo fato de a China, o pais mais populoso do mundo (mais de seis vezes a população do Brasil), ter virado a oficina do mundo também. Sua exportação de bens manufaturados segue para todo o globo, com uma boa relação qualidade-preço. Nos últimos anos, a China tem apostado mais em setores de alta qualidade. Seu superavit comercial com o resto do mundo é enorme, e lhe permitiu acumular dinheiro nos cofres e também todo esse valor em crédito.

Influência política

O artigo da BBC sobre a dívida do Brasil e vizinhos à China refere também um detalhe importante: a dívida para com a China é contraída diretamente para com o Estado. Ao contrário do sistema de economia livre e aberta, liderado por privados, na China as grandes agências de investimento são controladas pelo governo. O resultado é que, mais do que a exigência de devolução dos créditos, a dívida da América Latina à China representa mais abertura à influência política de Pequim.

O exemplo da Venezuela

No total, a China emprestou US$ 133 bilhões a Venezuela, Brasil, Equador, Argentina e Bolívia. O Brasil vem em segundo lugar na tabela, com US$ 28,9 bilhões de dívida. Entretanto, mais de metade desses 133 milhões foi emprestado à Venezuela. No caso do país do regime bolivariano, os empréstimos foram aplicado em empresas mistas, em que o capital é participado (de forma indireta) pelo governo venezuelano e pelo governo chinês.

É fácil de entender porque motivo a ação de Juan Guaidó não tem tido sucesso. O regime de Maduro tem, além da proteção militar direta da Rússia, um poderoso interesse chinês na sua proteção.