A Ucrânia e a Rússia concordaram em estabelecer um cessar-fogo, interrompendo as

atividades militares na região leste da Ucrânia, que se prolongam desde 2014. O cessar-fogo deverá entrar em vigor até o final de 2019.

O acordo surgiu em uma reunião dos presidentes Vladimir Putin (Rússia) e Volodymyr Zelensky (Ucrânia), no dia 9 de dezembro, em Paris, com a presença do presidente francês Emmanuel Macron e da chanceler alemã Angela Merkel. Este é o segundo cessar-fogo assinado entre as partes desde o início da guerra, depois do que foi assinado na Bielorrúsia – ou Belarus, como também começa a ser chamado esse país no Brasil – em 2015. Desde 2016 que não existiam negociações diretas entre as partes, que foram sem dúvida facilitadas pela chegada de um novo presidente ao poder em Kiev.

As exigências de ambas as partes

De acordo com a Reuters, mencionada pela BBC, o presidente Putin pretende ver resolvidas várias questões práticas: anistia para os envolvidos no conflito, pontos de passagem na fronteira entre a Rússia e as regiões de maioria russa no leste da Ucrânia e uma categoria especial, no interior do estado ucraniano, para a região de maioria russa. Já o presidente Zelensky afirma que a soberania da Ucrânia deve se manter, ainda que considere o encontro como positivo.

Ucrânia ausente dos debates

Não houve qualquer referência ao estatuto da Ucrânia, anexada militarmente pela Rússia em 2014. Durante sua campanha eleitoral, o novo presidente teria “desistido” de recuperar a península de maioria russa, ao afirmar que só uma mudança de poder em Moscou poderia abrir caminho a essa questão.

“Estados” ausentes das negociações

Existem atualmente dois “países” não reconhecidos internacionalmente (nem sequer por Moscou, que reconhece diversas repúblicas separatistas próximas de suas fronteiras): as Repúblicas Populares de Donetsk e de Luhansk, correspondentes à região de Donbass, disputada pelos dois países. Embora apoiados informalmente pela Rússia, os dois “países” não fazem parte dessas negociações.